HISTORIAL DA EMPRESA

Após os estudos da costa e dos sertões da região, iniciados em 1839, o então Governador-geral da Província de Angola, Manuel Eleutério Malheiros, determinou em Fevereiro de 1840, que se erguesse um forte na baía de Moçâmedes, época em que se iniciava a sua ocupação militar.

A “Fortaleza de S. Fernando” foi, pois, o primeiro testemunho material da ocupação de Moçâmedes, autenticado pelo pacto de amizade e de comércio de 14 de Agosto de 1840, entre o representante do Governo-geral e os sobas distritais. A comprová-lo, existem ininterruptas nomeações dos comandantes dos presídios e os governadores distritais, legitimamente incumbidos da superior ingerência da administração local.

Essa fortificação foi concluída em 1844, recebendo oficialmente a designação de Forte de São Fernando, pelo Ofício n.º 249, de 12 de Junho de 1849, do Governador-geral do Ministério ao Ultramar, em Lisboa.

Homenageava-se Fernando II de Portugal, esposo da rainha D. Maria II (1826-1828; 1834-1853). Foi seu primeiro comandante o Tenente de Artilharia João Francisco Garcia (1840-1845).

Afirmando a soberania, a “Fortaleza de S. Fernando” foi, para os habitantes do distrito, simultaneamente, sustentáculo de defesa e condição de amparo. 6

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Com a chegada do primeiro grupo de emigrantes portugueses de Pernambuco, em 1849, foi fundada a Cidade de Moçâmedes. Este grupo procedeu a uma utilização vantajosa dos recursos naturais, tornando possível, pelo número e pelas condições, a organização regular do aglomerado populacional que formaram.

Coube-lhes a indiscutível glória, não só de terem erguido a primeira povoação, como também de terem iniciado, com eficácia, a exploração agrícola, a labutação piscatória, o movimento comercial e o exercício de várias outras actividades.

A partir de 1860, os colonos de Pernambuco tiveram na faina marítima, como activos cooperantes, colonos algarvios, que lhes prestaram concurso digno de apreço para o progresso piscatório distrital.

Em 1907, Moçâmedes, tornou-se cidade e foi crescendo, até que em Outubro de 1952 o governo resolveu dotar a cidade com um cais acostável, cuja empreitada de construção foi entregue às firmas espanholas reunidas “Companhia de Los Ferro Carriles de Medina del Campo a Zamora e de Orense a Vigo” e “Cobiertos e Tejados”. A 24 de Junho de 1954 realizou-se a cerimónia de inauguração dos 380 metros de cais acostável do Porto de Moçâmedes. Tornou-se assim, o terceiro Porto de Angola. Em Janeiro de 1958, o cais passou a ter 775 m de comprimento e em 1962 foram acrescentados mais 100 m de cais, passando este a ter 875 m, dos quais:

  • 480 m com fundos na ordem dos 10,5 m, destinados à navegação de longo curso;
  • 130 m com fundos na ordem dos 6 m, destinados à cabotagem de longo curso;

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  • 265 m com fundos na ordem dos 3 m, destinados à pequena cabotagem e embarcações de tráfego local.

O Porto possui uma área descoberta de armazenagem de 37.200 m².

Este cais tem uma ligação à linha férrea do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, que penetra 765 Km no interior de Angola.

A norte da Baía do Porto, em meados de 1967, foi concluído o Porto Mineraleiro Salazar, possuindo uma ponte cais constituída por uma laje contínua de betão pré-esforçado com as dimensões de 325×18 metros, assente sobre fiadas de estacas, seguindo-se uma outra zona constituída por laje de 200×12 metros, criando um posto de acostagem com fundos de 10 m, destinado a petroleiros. Este destinava-se quase exclusivamente ao embarque de minério e à descarga de combustíveis, não obstante as instalações encontrarem-se actualmente num estado degradante, outrora dispunha de um “carregador de navios” (shiploader) com a altura de 38 m e equipado com uma lança telescópica com avanço de 23 m, permitindo carregar os maiores navios existentes no mundo ou em construção, à cadência de 4.000/5.000 toneladas por hora, neste momento inoperante.

Em Outubro de 1971 teve lugar o carregamento máximo, mensal, de 77.233 toneladas de minério, sendo que no mesmo ano se registou o record mundial no carregamento de 158.603 toneladas, ao ritmo de 50 toneladas por minuto para o navio japonês Niizuru Maru que tinha uma tonelagem de 162.586, um comprimento de 313,90 m, uma largura de 44,20 m e um calado máximo carregado de 17,14 m. 8

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Em 1975, Angola tornou-se independente, tendo a Cidade e o Porto de Moçâmedes sido rebatizados para Cidade do Namibe e Porto do Namibe, respectivamente.

A seguir a independência, Angola enfrentou a guerra civil que destruiu grande parte das suas unidades produtivas, explorações mineiras, vias férreas e rodoviárias do sul de Angola, o que fez baixar substancialmente a actividade do Porto do Namibe.